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Nov

26

2019

A utilização de Ácidos Orgânicos no controle de micro-organismos e controle sanitário das aves



 
Nov

26

2019

A utilização de Ácidos Orgânicos no controle de micro-organismos e controle sanitário das aves

Utilizados na dieta das aves, os ácidos de cadeia curta agem diretamente sobre bactérias patogênicas reduzindo o pH do interior da célula. Seu fornecimento deve ocorrer de maneira estratégica no tratamento antimicrobiano e controle de micro-organismos.


O Brasil possui destaque mundial na produção de carne de frango e exportação, ocupando a segunda colocação em volume de produção (ABPA, 2018). Não só isso, o País ocupa também posição de destaque em relação a produção de ração, estando na terceira posição globalmente, sendo o maior produtor da América Latina (Sindirações, 2019).

Frente a isso, é notória a importância do Brasil no cenário mundial de produção de proteína animal. Esse destaque nos coloca em uma situação de otimização de produção, com menores custos e maior eficiência, aliado ao grande desafio de garantir o status sanitário do plantel e reduzir a utilização de antibiótico promotor de crescimento (APC).

Essa nova necessidade do campo, criou um cenário diferente para todas as empresas do ramo de fornecimento de produtos para a alimentação animal, desenhando a necessidade de desenvolver e avaliar a eficácia de novos compostos para reduzir o uso dos consolidados APC. Outro ponto importante e que representa alto impacto no desempenho de animais também demanda atenção, a saúde intestinal. Com esse apelo, o uso de ácidos orgânicos tem recebido espaço cativo nas dietas de campo, seja de fornecimento via água de bebida ou incorporado à ração.


Mecanismo de ação dos ácidos orgânicos na célula da bactéria

Os ácidos orgânicos utilizados na dieta são ácidos de cadeia curta que agem diretamente sobre bactérias patogênicas reduzindo o pH do interior da célula. Esses compostos alteram a concentração de íons H+ no interior da célula bacteriana, fazendo com que o patógeno gaste excessiva quantidade de energia na tentativa de normalizar o pH do interior da célula.

Esse alto consumo de energia acarreta restrição nas atividades de síntese de DNA e proteínas no interior da célula patogênica, resultando em morte da célula bacteriana por esgotamento energético. Os principais ácidos orgânicos de utilização na nutrição animal são o ácido lático, propiônico, butírico, fórmico, acético e cítrico.

A utilização de ácidos orgânicos na dieta pode ocorrer de maneiras diferentes, com o uso de ácidos livres, protegidos ou microencapsulados. Cada forma apresenta seus efeitos, porém com sítios de atuação distintos.

Os ácidos orgânicos microencapsulados são revestidos por camadas lipídicas que garantem que a liberação do ácido orgânico ocorra de maneira programada - somente após ação de sais biliares e enzimas (lipase), na parte medial do intestino -, quando não haveria interferência com as enzimas pancreáticas e intestinais que necessitam de pH próximo do neutro. Esse procedimento visa a liberação lenta e continuada do ácido ao longo do trato gastrointestinal (TGI), proporcionando alta disponibilidade do ativo no lúmen.

A microencapsulação dos ácidos orgânicos permite que o ácido atinja o trato gastrointestinal (TGI) total e ceco sem ter sido dissociado nos órgãos anteriores (VAN IMMERSEEL et al., 2004), realizando sua ação bactericida no terço final do intestino delgado e intestino grosso, melhorando a microbiota desejável e fermentadora de fibra e carboidratos não amiláceos da dieta, otimizando assim a produção de energia a partir destes produtos (GAUTHIER, 2002).

Controle microbiológico como uma das vantagens dos ácidos orgânicos microencapsulados


As principais vantagens da utilização dos ácidos orgânicos microencapsulados se referem ao seu poder de atuação nas diferentes condições do TGI, proporcionando melhora na digestibilidade e absorção de nutrientes, por induzir aumento na secreção pancreática e biliar. Outro benefício seria a manutenção da integridade intestinal, com efeito sobre a saúde das vilosidades e diminuição do turnover celular, o que contribui com menor gasto energético para esse processo, quando na ocorrência de desafio sanitário.

Porém, é de grande importância ressaltar a redução de bactérias patogênicas no lúmen quando na incorporação desse composto na dieta, fornecendo ao animal uma forma mais eficiente de controle microbiológico, visto que a maior parte da contaminação por Salmonella ocorre nas porções mediais e distais do intestino, onde o ácido orgânico tem maior efetividade.

Outro ponto a ser considerado com relação ao ácido orgânico microencapsulado é sobre questões de manipulação em fábrica de rações. Este produto é de fácil manuseio devido ao seu revestimento, o que protege a liberação dos odores característicos de cada ácido, tornando a sua utilização mais segura. Eles também apresentam maior fluidez que os ácidos livres, e propiciam melhor capacidade de mistura quando adicionados a ração.


Utilização dos ácidos orgânicos no lote de frangos

O fornecimento de ácidos orgânicos deve ocorrer de maneira estratégica durante o desenvolvimento do lote de frangos, sendo a utilização de sua forma livre indicada para redução de pH, auxiliando a ação da pepsina para digestão e absorção de nutrientes.

O papo ou inglúvio, apresenta pH próximo a 5,5 o que o torna um ambiente favorável ao crescimento de algumas bactérias acidófilas indesejáveis (Salmonella), que podem migrar para o intestino após passarem essa primeira defesa. A inclusão de ácidos orgânicos livres aumenta a acidez nesse ponto e diminuem, assim, a proliferação de bactérias patogênicas e favorecem o crescimento das benéficas. Os ácidos orgânicos são essenciais no controle de microrganismos como Escherichia coli, Campylobacter spp, e Salmonella, a qual, considera-se como um dos principais desafios sanitários da avicultura moderna. 

Conclusão

A utilização de ácido orgânico se consolida no mercado como sendo uma alternativa promissora, porém para maior efetividade da aplicação dessa tecnologia, esse processo deve caminhar em paralelo com o manejo da granja e da fábrica de ração, possibilitando as boas práticas de produção e garantindo a biosseguridade do ambiente.

É importante estabelecer um programa de utilização de produtos, verificando qual a dose e forma de apresentação mais adequada de ácido orgânico para uso, sendo os blends de ácidos os mais garantidos para maior assertividade no resultado.

A BTA Aditivos possui produtos com blend de ácidos orgânicos livres e microencapsulados, que atendem as demandas do mercado conforme suas necessidades de aplicação.

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Caroline Facchi

Pesquisadora BTA Aditivos