BTA Aditivos - Add Innovation
BTA Aditivos - Add Innovation
PT EN ES
BTA Aditivos - Add Innovation
PT EN ES
Out 02 2020

7 dicas essenciais para o controle sanitário em granjas avícolas de matrizes

Em uma granja de matrizes é importante observar e seguir alguns critérios e controles sanitários a fim de evitar a entrada e a transmissão de agentes contaminantes que possam interferir na saúde e na produção das aves.

O status sanitário dos lotes constitui um dos principais desafios da indústria avícola e exige conhecimento técnico sobre as enfermidades que acometem as aves, como enfrentá-las, como se disseminam e como controlá-las. Por esse motivo, a biosseguridade é necessária para que seja possível ter produções cada vez mais sadias e economicamente viáveis.

A biosseguridade é definida como um conjunto de medidas sanitárias e de imunoprofilaxia, adotadas para reduzir a entrada e a transmissão de agentes patogênicos nos plantéis e, indiretamente, ao consumidor que é o usuário final do produto avícola.

Já abordamos em um artigo anterior sobre os cuidados que devem ser observados na instalação de um aviário, como dimensionamento do espaço, ambiência do local e manejo das aves, incluindo as ações que precisam ser empregadas no campo afim de obter bons resultados nos lotes.

A seguir, veja de que maneira o monitoramento sanitário e a higienização das instalações influenciam diretamente no bem-estar da granja.

1. Isolamento das granjas e barreiras de contenção

A localização da granja é um ponto importante a ser considerado na hora de se estabelecer um controle sanitário. Não é permitida a construção de granja próxima a cursos de água, açudes ou lagos usados por aves aquáticas. Além disso, o ideal é que os galpões sejam construídos longe das estradas principais que são utilizadas por caminhões que realizam o transporte de outras aves.

Além da localização estratégica, é essencial que as granjas estejam circundadas por barreiras físicas ou naturais, mantidas sempre em bom estado de conservação, para inibir a entrada de pessoas não autorizadas, veículos ou animais que possam transportar patógenos para o seu interior. Caso sejam utilizadas barreiras vegetais, é apropriado dar preferência a árvores de reflorestamento como eucalipto ou pinus, deixando de lado as variedades frutíferas, pois estas servem de atrativo para aves e animais silvestres.

Além disso, as instalações precisam estar rodeadas com cercas de, no mínimo, dois metros de altura em seu perímetro e com duas entradas somente, uma para acesso de pessoas e outra para trânsito de veículos. Portas e portões devem ficar fechados durante todo o tempo.

É fundamental manter uma zona limpa, livre de vegetação, de aproximadamente 10 metros por fora da cerca. Esta medida inibe a movimentação de roedores, que não circulam em terrenos limpos e abertos.

 

2. Controle de tráfego de pessoas, veículos e materiais

Nas granjas, deve haver uma portaria central e outras nos núcleos de produção, para o controle de entrada e saída de todos os insumos, equipamentos, produtos e pessoas ligadas aos processos.

Todas as pessoas, veículos, máquinas e equipamentos que entrarem na granja, precisam, obrigatoriamente, passar pela área de apoio central e seguir todos os procedimentos de desinfecção para garantir a biosseguridade em granjas de aves.

Vestiários e área de banho, com pisos e paredes de fácil higienização, são itens essenciais nas portarias. Recomenda-se que estes sejam divididos por área suja e área limpa e com movimento em sentido único, para as pessoas tomarem banho e colocarem as roupas para uso exclusivo e interno dos núcleos.

Na entrada dos galpões são necessários pedilúvios para a desinfecção dos calçados, contendo uma solução de desinfetante. Esta tem que ser, obrigatoriamente, trocada sempre que estiver suja ou com resíduos orgânicos. É indispensável a lavagem dos calçados ou botas antes de mergulhar no pedilúvio.

Antes de entrar nos núcleos, todos os materiais têm que ser desinfetados ou fumigados. Itens como papéis, máquinas e equipamentos que não podem ser molhados ou desinfetados, devem passar por fumigadores, que são construídos na divisa da área suja e área limpa, para facilitar o acesso dos materiais para fumigação.

É crucial que funcionários e visitantes não tenham aves em suas residências, nem contato com estas antes de entrar na granja. Caso isso tenha ocorrido, aplica-se o vazio sanitário - que consiste na obrigatoriedade do funcionário ficar sem contato com outras aves, por no mínimo, três dias.

Os veículos também são considerados pontos críticos e exigem controle, já que o trânsito destes é constante dentro das granjas. Por esta razão, os caminhões devem ser submetidos a medidas rigorosas de limpeza e desinfecção antes de entrar nas granjas.

Os caminhões de ração precisam ser dedicados exclusivamente para o transporte de ração de matrizes e, se possível, que os silos sejam instalados no lado externo ou próximos à cerca, para evitar o acesso dos caminhões nas granjas. Quando for necessário entrar, é indicado que os motoristas não desçam dos caminhões. Antes da entrada, é sugerido realizar a desinfecção correta de caminhões passando pela lavação e pelo arco de desinfecção.

 

3 . Controle de vetores nas instalações de aves

Roedores, pássaros e moscas têm potencial transmissor de enfermidades que causam problemas na sanidade das aves, principalmente por disseminarem patógenos como a Salmonella spp. O risco vem da entrada destes vetores oriundos de outras granjas ou núcleos ou pela disseminação da contaminação, via fezes na ração. Entre as medidas gerais de controle estão:

  • Implantação de cercas de isolamento
  • Destino adequado do lixo, animais mortos e dejetos
  • Limpeza e organização do depósito de rações e insumos dos galpões e arredores

 

4. Qualidade da água e da ração fornecidas às aves

Dependendo da qualidade da ração, ela pode servir como fonte de transmissão de microrganismos, especialmente se estiver contaminada por fungos, leveduras ou bactérias. Agentes patogênicos podem estar presentes em um dos ingredientes e levar a contaminação ao alimento, tanto durante a mistura quanto na entrega ou durante o armazenamento. Por isso, a ausência de umidade nos silos de ração é tão importante, uma vez que seu excesso favorece o crescimento e a multiplicação de fungos e bactérias.

Nas fábricas, é recomendado realizar o tratamento térmico e utilizar ácidos orgânicos para diminuir o risco de contaminação e transmissão de Salmonella via ração, além da adoção da certificação de Boas Práticas de Fabricação, para trazer maior confiabilidade à produção. Na granja, é recomendado realizar a limpeza e desinfecção periódica dos silos de ração, se possível, no mínimo, uma vez ao mês.

Além da qualidade da ração, é preciso ter cuidado com a água oferecida às aves, já que sua composição impacta diretamente no desempenho zootécnico destas. Se a água não tiver qualidade, pode prejudicar o crescimento ou a qualidade final das aves, podendo ainda, atuar como um vetor de microrganismos patogênicos ou mesmo hospedando poluentes, cujas consequências podem ser muito significativas.

O mais importante é que esta água seja fornecida na granja de forma abundante, limpa, fresca, isenta de microrganismos patogênicos e captada em uma caixa d´água central, para posterior distribuição nos núcleos. Devem-se realizar controles periódicos na água, coletando amostras em diferentes pontos, como poço, caixa de água e bebedouros, para realização de análises.

 

5. Manejo de aves mortas

Carcaças de animais mortos oferecem um grande risco para a entrada de doenças nos galpões, tanto pela atração de vetores quanto pelo aumento da pressão de infecções nas instalações.

A compostagem é um processo eficiente e de baixo custo e é o método mais indicado para o rotineiro descarte dos resíduos da produção. Recomenda-se construir uma composteira com piso revestido e preferencialmente perto dos galpões, para evitar grande deslocamento de dejetos ou aves mortas. Atualmente, já existem no mercado desidratadores, que também oferecem bons resultados por aplicar alta temperatura na carcaça e nos restos de ovos gerados e descartados nas granjas, reduzindo o volume a ser compostado.

 

6. Monitoramento sanitário nos lotes de aves

O Programa de Biosseguridade precisa ser averiguado e monitorado para confirmar a presença ou ausência de determinados patógenos nos lotes de aves, principalmente dos gêneros Salmonella spp. e Mycoplasma spp. As monitorias sanitárias são utilizadas para a verificação do status sanitário dos lotes através do tempo e, caso sejam constatadas não conformidades, devem ser implantadas ações corretivas.

As monitorias podem ser dirigidas aos animais, ao ambiente onde os animais estão alojados e aos insumos que são utilizados no sistema de produção, como a água e as rações oferecidas. Os principais objetivos são a identificação de possíveis lotes positivos para essas infecções e a proposta de medidas para controle e erradicação destas. Além disso, a monitoria ainda visa:

  • Estabelecer as expectativas de títulos de anticorpos esperados como resposta ao programa de vacinação utilizado;
  • Avaliar a qualidade do método de aplicação da vacina e os possíveis desafios por agentes patogênicos presentes no campo;
  • Vislumbrar as inter-relações entre os títulos de anticorpos e os parâmetros de produção;
  • Pesquisar a presença de Salmonella spp. no ambiente.

Usualmente, utilizam-se procedimentos de laboratório para avaliar a imunidade que as aves obtiveram com as vacinas aplicadas. Para isso, realizam-se nos laboratórios os testes de Aglutinação Sorológica Rápida e Lenta, Elisa, Inibição da Hemaglutinação, PCR, PCR Real Time, Bacteriologia para Salmonella, entre outros.

É indicado que as empresas avícolas estabeleçam um plano de contingência para as possíveis emergências nos lotes. Este plano deve contemplar procedimentos extras a serem realizados, até que se tenham os resultados de laboratório se o lote está positivo ou negativo. Com este plano, pode-se bloquear a disseminação da doença para outros lotes até que se elimine as aves, se for o caso.

 

7. Limpeza e desinfecção das instalações

Para se atingir o objetivo final de um controle sanitário e a manutenção de uma granja livre de microrganismos que possam causar doenças no plantel, é oportuna a realização de procedimentos para combater patógenos em equipamentos e instalações. Além das limpezas diárias e de rotina que são realizadas, deve-se também aproveitar o vazio sanitário dos aviários ou intervalo entre lotes para fazer um ponto de corte das contaminações que possam ter ficado do lote anterior.

É fundamental evitar, sobretudo, que fiquem resíduos de fezes, penas, poeira ou qualquer outro resíduo orgânico do lote anterior que possa entrar em contato com o próximo lote. Isso porque, alguns patógenos morrem facilmente, porém, outros sobrevivem se as condições forem ótimas e se estiverem na presença de matéria orgânica.

Algumas ações de limpeza e desinfecção são indispensáveis durante o intervalo entre lotes. Entre elas destacam-se:

  • A desmontagem de todos os equipamentos, como comedouros, bebedouros e a retirada do forro dos ninhos, de modo que facilite a limpeza dos equipamentos e galpões;
  • Toda a cama das aves precisa ser retirada e levada para um local externo e o mais longe possível da granja. Em caso de problemas sanitários, é essencial realizar a fermentação da cama, por um período mínimo de 10 dias, cobrindo toda a cama com lona plástica, que deverá atingir uma temperatura de 56° C a 60° C, no mínimo por três dias, para depois ser retirada do local;
  • Limpeza com vassoura de todo o piso para a retirada dos restos de cama e fezes, raspando com espátula, caso seja necessário, para retirar os restos que não se conseguiu retirar varrendo;
  • Realização da limpeza a seco de lâmpadas, luminárias, partes fixas de diferentes equipamentos e ventiladores;
  • Limpeza úmida dos galpões, com água de alta pressão. A limpeza úmida reduz as partículas de poeira e resíduos de matéria orgânica das estruturas internas e equipamentos. Se possível, é pertinente fazer o uso de água quente, pois a mesma tem maior capacidade de arrastar restos de sujeiras e gorduras. Depois de lavados os galpões, deve-se eliminar todos os possíveis restos de detergentes, pois os mesmos podem neutralizar a ação dos desinfetantes que serão utilizados posteriormente;
  • A correta realização das tarefas de limpeza é de extrema importância para que o desinfetante possa exercer efetivamente a sua função. Por isso, antes de desinfetar, é indicado fazer um checklist de verificação. Havendo qualquer resíduo de cama, fezes ou poeira, é indispensável se fazer uma nova limpeza úmida destas partes e somente depois liberar para a desinfecção.

Estando devidamente limpo e seco, o galpão é então liberado para a realização da desinfecção que comumente é realizada de maneira úmida, através da aplicação de desinfetantes líquidos. Porém, também pode ser realizada de maneira seca, através de fumigação. Além disso, sugere-se que todos os materiais que forem introduzidos na área limpa da granja sejam fumigados. Os objetos e materiais que não couberem no fumigador precisam ser lavados e posteriormente desinfetados com produto desinfetante.

Para escolher o desinfetante é importante verificar o local e a superfícies que serão desinfetados e qual agente patogênico deve ser destruído. Além disso é primordial considerar outras características do produto, como:

  • Possuir alto poder de eliminação de patógeno
  • Atender à relação custo x benefício
  • Possuir baixa toxicidade
  • Ter estabilidade em condições adversas de pH
  • Conter alto poder residual
  • Elevada penetrabilidade
  • Não causar efeitos adversos ao meio ambiente

Após a completa desinfecção dos galpões, deve-se proceder com a realização de uma amostragem laboratorial. O objetivo desta amostragem é verificar a eficácia dos processos de limpeza e desinfecção realizados, avaliando principalmente a presença de Salmonella e a carga microbiológica de Enterobactérias. Caso os resultados sejam satisfatórios, o galpão estará liberado para alojamento de novo lote. Caso os resultados sejam insatisfatórios, é necessário realizar nova desinfecção.

Sabemos que a avicultura no Brasil se mantém em crescente expansão e atinge níveis cada vez mais tecnificados, em contrapartida, todas as aves são suscetíveis aos mais variados patógenos. Sendo assim, o controle sanitário das granjas avícolas de matrizes, aliado a um efetivo Programa de Biosseguridade passa a ser, cada vez mais, uma prioridade e uma importante ferramenta no agronegócio nacional e internacional, contribuindo para a manutenção e garantia do status sanitário dos lotes.

Se quiser saber mais sobre granja de aves veja neste artigo como garantir um bom manejo na primeira semana do frango

Compartilhe:

Daiane Signore Ribeiro - Formada em Medicina Veterinária pela UNOESC e pós-graduada em Tecnologia da Produção de Ração Animal pela UNOESC. Atua como Consultora Técnica na BTA Aditivos.

Veja mais posts do autor

Rafael Soares - Médico Veterinário formado pela Universidade de Vila Velha (UVV) e Coordenador Técnico da Divisão Animal da BTA Aditivos.

Veja mais posts do autor
voltar ao topo

Assine a nossa newsletter

Fique tranquilo, não compartilhamos seu e-mail e você pode cancelar sua assinatura quando quiser, com apenas um clique!

Matriz: Xanxerê/SC • +55 (49) 3199-1646

Rua Carlos Emilio Hacker, nº 260 | Linha São Sebastião | Interior | 89820-000

Escritório Comercial: Jaraguá do Sul/SC • +55 (47) 3055-2764

Rua João Marcatto, nº 260 | Sala 401 | Centro | 89251-670

Nós usamos cookies em nosso site para oferecer a melhor experiência possível. Ao continuar a navegar no site, você concorda com esse uso. Para mais informações sobre como usamos cookies, veja nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

Aceito e continuar