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Set 17 2020

Como garantir um bom manejo na primeira semana dos frangos de corte

Os primeiros dias de vida das aves são delicados e necessitam de preparação do ambiente com antecedência, além de procedimentos adequados para evitar perdas nesta fase.

Um dos fatores de maior impacto na avicultura moderna, é o manejo das aves na granja, indiferente da fase em que se encontram. A utilização de um manejo adequado une as práticas já consolidadas e que são realizadas manualmente, com as práticas que possuem maior nível tecnológico e que são um pouco mais recentes para o campo.

Preparo do alojamento para recebimento das aves

Quando falamos em frangos de corte, é impossível não pensar no dia do alojamento. Esse período é bem delicado e exige que o trabalho para recebimento dos pintos inicie alguns dias antes da sua chegada. É necessário higienizar e aquecer a granja, ter a ração disponível, verificar condições da cama, dentre outras ações.

Ao chegarem à granja as aves precisam ser transferidas das caixas para o aviário, que já deve estar preparado com os círculos de separação - ou outro método a escolha do produtor -, contendo ração e água e devidamente aquecidos. Recomenda-se nessa etapa que sejam pesados no mínimo 5% do número total de caixas para obter o peso médio de alojamento.  

O aquecimento é necessário nessa fase pois o sistema termorregulador das aves começa a controlar a própria temperatura corporal somente após os 12 ou 14 dias de vida. Assim, os galpões devem ser pré-aquecidos com antecedência mínima de 12 ou 24 horas à sua chegada. Para que seja criado um ambiente confortável, a temperatura do ar deve ser estabilizada em 30°C e a da cama em 28 a 30°C. A umidade relativa (UR) deve estar entre 60 a 70%. Outra situação dessa fase é com relação a ventilação de ar, que precisa ocorrer de modo a diminuir o acúmulo de gases nocivos, mas sem afetar o desenvolvimento das aves. O ar fresco deve ser fornecido em intervalos regulares.

Reposição da água para as aves

O tempo de transporte inadequado, desde a eclosão até o alojamento, pode ocasionar em perda acentuada de proporção de água corporal, principalmente via respiração. Essa perda pode estar atrelada ao aumento da mortalidade inicial do lote e menor taxa de crescimento.  Por isso, é importante que o fornecimento de água ocorra rapidamente, de modo a evitar que essa perda se transforme em uma possível desidratação.

Atualmente, a indústria oferece vários modelos de bebedouros (tipo calha, pendulares, nipple ou bico) cada um comportando o número de aves indicado pelo fabricante. A altura do bebedouro deve ser ajustada semanalmente, seguindo a velocidade de crescimento das aves. Preconiza-se que a regulagem seja referenciada pela altura do dorso do animal.

Altura adequada ajuda as aves a beberem água regulamente

A alimentação no primeiro dia

Os pintainhos nascem com uma reserva de nutrientes de origem embrionária, contida no saco vitelino, que serve de primeiro alimento até que ele encontre a ração. Assim, não há riscos severos de fornecer a ração algumas horas após a eclosão. Porém, quanto mais cedo o fornecimento for realizado, mais rápido será o aprendizado dos pintos sobre o que é alimento e como obtê-lo.

Existem várias alternativas para os primeiros dias, tais como usar bandejas de plástico ou mesmo pedaços de papelão das caixas de entrega de pintos, sobre as quais se coloca um pouco de ração.

Quando adicionada a ração no papelão ou bandejas, não se deve colocar uma quantidade muito grande, visto que nessa fase os pintainhos costumam ciscar bastante e acabam por desperdiçar o alimento, interferindo negativamente na conversão alimentar do lote. Após os 3 ou 4 primeiros dias recomenda-se passar para o comedouro convencional, garantindo assim que eles encontrem o alimento e evitem perdas.

Vários modelos de comedouros estão disponíveis no mercado, automáticos ou não, e que podem ser usados desde o primeiro dia até a saída para o abate. O princípio geral de manejo é o de não deixar que os pratos ultrapassem a marca de 1/3 da altura a partir do fundo, para evitar que a ração caia sobre a cama, sendo desperdiçada.

A influência do calor e da cama para o crescimento das aves

Como medida para evitar o estresse durante o alojamento, recomenda-se baixar a intensidade de luz do aviário. Após o período do alojamento volta-se a aumentar a intensidade da luz, para estimular o consumo de água e alimento, e para que eles se mantenham ativos.

Nesta idade o pintainho tem um crescimento acelerado, aumentando em média em torno de 4,5 vezes o seu peso inicial. Qualquer dificuldade ou agressão sofrida nesta fase implicará diretamente em queda no desempenho final da ave, elevando a mortalidade, os custos de produção e reduzindo o volume de carne produzido, assim como a perda de sua qualidade. Por isso, além de todos os manejos já mencionados, é necessário que ocorram visitas constantes ao aviário durante o dia, para que ocorra a movimentação das aves para que busquem alimento, evitando que se mantenham em aglomeração.

A utilização da cama de aviário auxilia na manutenção térmica e serve também para absorção de umidade proveniente das excretas. A condição da cama é um dos fatores responsáveis pelo maior ou menor adensamento de aves por metro quadrado. Quando ocorre aumento na densidade de criação a qualidade da cama tende a ter piora por causa do aumento na produção de excretas. Em consequência, haverá maior umidade e produção de amônia no ambiente. A cama também se torna compactada com mais facilidade, nas altas densidades, e o resultado é o pior desempenho das aves e possíveis lesões nos pés.

Após a implantação da cama, a qual deve ser feita utilizando bons materiais, é preciso que seja realizado manejo contínuo. Os principais materiais usados para compor a cama do aviário são as raspas de madeira conhecidas como maravalha. Estas possuem boa absorção de líquidos, propiciam diminuição do impacto do animal com o solo, evitando lesões corporais e são fáceis de trabalhar. Outros materiais também utilizados pelos avicultores são a areia, o girassol ou sabugo de milho triturado, cascas de arroz ou café e alguns tipos de feno.   

Todos esses manejos mencionados servem para auxiliar o desenvolvimento dos frangos, visto que a fase inicial é importante para o desempenho total do lote. Além de tudo isso, é muito importante estar atento às condições sanitárias, seja da ração, cama ou até mesmo das instalações. Esse cuidado se justifica pelo fato de que os pintainhos, ao nascerem, vêm de um ambiente praticamente estéril, que é o interior de um ovo. Seu sistema de imunidade gastrintestinal ainda se desenvolverá pela ingestão moderada de microrganismos do meio ambiente. É esse contato moderado com bactérias que permite o desenvolvimento da imunidade local. A ração fornecida aos pintos, deve seguir as exigências da fase, sendo que ela pode ser farelada ou triturada, de modo a facilitar a ingestão pelas aves.

Nutrição na primeira semana da ave

A dieta da primeira semana dos pintainhos se torna fundamental em função da necessidade de uma adequação nutricional. Ao saírem de uma condição embrionária, em que a energia de sua nutrição é a gordura da gema e a proteína o albúmen, os pintainhos irão se deparar com o amido e gordura vegetal como base energética, e encontrarão também diferentes fontes proteicas com variáveis formas digestíveis.

Nas primeiras horas de consumo do alimento o sistema digestivo inicia o processo de transformação anatômica e fisiológica, sendo importante ressaltar que o consumo de água, além de compensar a desidratação sofrida na chegada, favorece o consumo do alimento e sua digestibilidade.

Nesta primeira semana dos pintainhos é preciso elaborar uma ração exclusiva para esta fase, denominada ração pré-inicial, com componentes básicos como milho, farelo de soja, farinha de carne e ossos, gordura vegetal, calcário e sal. Os níveis de nutrientes levados em consideração nessa fase são mais altos do que os das fases subsequentes. É esperado um desenvolvimento dos pintainhos aos sete dias com pelo menos 4,5 vezes mais pesados que no dia do alojamento, como também para a fase inicial que compreende do oitavo ao vigésimo primeiro dia de vida.

Alguns nutrientes fundamentais ao desenvolvimento dos pintainhos:

  • Proteínas – formadas por uma ou mais cadeias de aminoácidos, elas participam em praticamente todos os processos celulares, desempenhando uma série de funções no organismo do animal.
  • Aminoácidos – importante para o adequado crescimento dos frangos, devem ser fornecidos via dieta. Os aminoácidos limitantes para as aves numa dieta milho-soja ocorrem na seguinte ordem: 
    • 1° metionina
    • 2° lisina
    • 3° treonina/triptofano

Quando a combinação entre ingredientes da dieta não complementa as exigências em aminoácidos, há necessidade da suplementação, por meio do uso de aminoácidos sintéticos, atualmente fabricados em nível industrial como a metionina, lisina, o triptofano e a treonina. Interações entre aminoácidos também ocorrem e podem acarretar em deficiências, imbalanços, antagonismos e toxidez. Alguns fatores influenciam as exigências das aves em proteína como, por exemplo, a idade, o nível de energia da ração, a temperatura, entre outros. A necessidade de aminoácidos (essenciais e não-essenciais) sob diferentes situações de alimentação (ingredientes e fatores acima mencionados) pode ser reduzida considerando o custo desse nutriente na dieta, no entanto, devem ser sempre mantidos os quatro aminoácidos limitantes.

  • Cálcio e Fósforo – minerais necessários não apenas para alcançar uma ótima taxa de crescimento, mas também para a mineralização óssea e envolvimento nos processos fisiológicos.
  • Vitaminas – nutrientes essenciais para o desenvolvimento por participarem como cofatores em reações metabólicas e permitirem a maior eficiência dos sistemas de síntese no organismo. Abaixo a relação das principais vitaminas, sendo que muitas delas possuem os nutrientes na fase inicial para as aves:
    • Vitamina A – previne ataxia, e também é responsável pela integridade das mucosas e renovação do tecido epitelial.
    • Vitamina D – necessária no metabolismo do cálcio e fósforo.
    • Vitamina E – previne a encefalomalácia, diátese exsudativa e funciona como antioxidante natural.
    • Tiamina (B1) – sua deficiência pode provocar anorexia e perda de peso.
    • Riboflavina (B2) – essencial ao crescimento das aves e na reparação dos tecidos. Sua deficiência atinge o nervo ciático.
    • Piridoxina (B6) – previne anemia e dermatite.
  • Minerais – necessários para manter o metabolismo fisiológico, fazendo parte de componentes estruturais de órgãos e tecidos. São catalisadores e cofatores em sistemas hormonais e enzimáticos. Diferentemente de outros nutrientes, os minerais não podem ser sintetizados por organismos vivos e se faz necessária a suplementação, que até pouco tempo era feita por compostos inorgânicos com biodisponibilidade muito variável. Atualmente a ingestão é praticamente toda feita por minerais orgânicos que possuem alta biodisponibilidade.

Além da suplementação de minerais e vitaminas, vale salientar que, visando o equilíbrio da microbiota intestinal nas aves, a ração também recebe a adição de melhoradores de desempenho como ácidos e óleos funcionais.

Abaixo seguem os níveis de nutrientes sugeridos para a fase pré-inicial de 1 a 7 dias e fase inicial de 8 a 21 dias de vida das aves.

É importante perceber que quanto melhor for o balanço na dieta e a ingestão dos nutrientes adequados, maior será a tendência das aves apresentarem um desempenho de acordo com seu nível de crescimento, Para isso, é relevante fazer um investimento nutricional, que evitará posteriormente, perdas produtivas e econômicas, e resultará em uma boa conversão alimentar e resultados zootécnicos satisfatórios.

Quer entender mais sobre o assunto? Acompanhe neste artigo 8 pontos críticos que devem ser observados para garantir a biosseguridade em granjas de aves

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Caroline Facchi - Engenheira Agrônoma, especialista em fábrica de ração, mestre em Sanidade e Produção Animal e doutoranda em Ciência Animal, na linha de nutrição de monogástricos. Atua na área de Pesquisa & Desenvolvimento da BTA Aditivos.

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José André Lins Souza - Zootecnista formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Assistente Técnico da Aliança Rural, parceira BTA Aditivos

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