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Mar 02 2020

Estratégias fundamentais para auxílio no controle de Salmonella na suinocultura

Pontos importantes na cadeia produtiva são destacados para garantir o fornecimento de animais livres de Salmonella no envio aos abatedouros.

A Salmonella é um patógeno de preocupação mundial, visto seu forte impacto negativo na cadeia produtiva e na saúde humana, com um temor geral sobre sua incidência. Em suínos, consiste em um agente de multiplicação entérica, situação a qual permite uma impactante disseminação entre os lotes se não houver programas e medidas de controle eficientes.

Raramente se encontra sintomatologia clínica nos animais portadores, exceto em condições de intensas situações de estresse ou períodos de imunossupressão dos animais. No entanto, seu impacto mais grave na cadeia produtiva refere-se à sua presença nos abatedouros, com a possibilidade de veiculação aos produtos finais destinados ao consumo humano. As bactérias deste gênero podem causar vários transtornos no organismo humano, havendo forte preocupação em termos de saúde pública e, avançando mais, em termos de saúde única.

Adicionalmente, existe forte pressão mercadológica quanto a presença deste agente, cujas agroindústrias que apresentem positividade deste agente em seus produtos derivados podem perder fatias importantes do mercado mundial. Atualmente, falar em erradicação deste agente na suinocultura é uma utopia, porém existem ferramentas e possibilidades que permitem controle eficiente de sua incidência, permitindo a oferta de todos os derivados da cadeia suinícola com adequada biossegurança, garantindo o objetivo final, que é o de oferecer produtos saudáveis e seguros para a população mundial.

Considerando todo o eixo da cadeia produtiva, é imperativo que haja atividades de controle que envolvam as instalações de produção (maternidade, creche e terminação), mecanismos e meios de transporte dos animais das granjas até os frigoríficos, englobando áreas de espera e linhas de abate nos abatedouros, a expedição final e as fábricas de rações e insumos para a atividade.

Biosseguridade na granja

A biosseguridade envolve o conjunto de práticas que objetivam impedir o ingresso e a disseminação de agentes infecciosos nos rebanhos. Para isso, medidas devem ser tomadas nas granjas para impedir, principalmente, a entrada de vetores que possam portar a Salmonella para o interior das instalações, englobando práticas de controle de moscas e roedores, a circulação de animais e pessoas alheias às atividades internas da granja. A propriedade deve ser isolada, tendo em mente que o objetivo da granja é o de produzir animais sanitariamente seguros para serem enviados aos abatedouros. A mesma deve ser distante de outras instalações animais, com cerca de isolamento, e toda a estrutura anexa da granja (escritório, fábrica de ração, vestiários, banheiros) localizados ao lado externo da cerca de isolamento.

Os funcionários devem primar pela higiene pessoal, para que não se tornem vetor de transmissão da Salmonella. Estas práticas envolvem o banho ao adentrar na granja, com adequada higienização da pele, unhas e mucosas, evitando o contato prévio com animais externos à granja por pelo menos 72 horas. Ainda, é fundamental a desinfecção de todos os veículos que adentram na propriedade para transportar os animais ou trazer insumos (ração, medicamentos, assistência técnica), pois os mesmos transitam em várias propriedades e podem ser fortes vetores de transmissão. A propriedade deve, fundamentalmente, dispor de sistemas de desinfecção veicular e de objetos que adentram às instalações.

Outro ponto importante consiste em evitar a mistura de animais oriundos de diferentes lotes. Cada granja possui uma carga microbiana distinta, e no momento da mistura dos animais destas diferentes granjas, há a disseminação de patógenos entre os animais aos quais eles não estavam adaptados, não havendo imunidade desenvolvida por estes animais frente aos novos patógenos aos quais foram expostos. Associando isto ao fato de que a mistura entre lotes gera brigas e estresse aos animais (situação que pode gerar imunossupressão) a Salmonella pode se disseminar rapidamente entre eles. A não-mistura entre lotes ainda permite a promoção de períodos de vazio sanitário nas granjas, essencial para garantir todo o programa de biosseguridade nas granjas.

Controle e monitoramento da qualidade da água

A água pode ser um meio potencial de disseminação da Salmonella, se não for adequadamente monitorada e controlada. Mesmo que as fontes de água na propriedade sejam consideradas seguras, aconselha-se efetuar a inclusão de compostos que promovam a desinfecção da água, como agentes clorados ou acidificantes. Torna-se fundamental a inclusão destes produtos na água, visto que um suíno, em média, consome diariamente de 2 a 3 litros de água para 1kg de ração, e a chance de haver problemas torna-se exorbitante, visto o volume diário de água utilizado na granja. Outro aspecto importante refere-se aos reservatórios de água, as tubulações e os bebedouros, onde pode haver a formação de biofilmes em seu interior, um meio de manutenção e propagação dos agentes microbianos.

Este fato torna-se ainda mais grave quando nos referimos à falta de efeito de desinfetantes quando há a presença de biofilmes, os quais abrigam as bactérias, protegendo-as do efeito dos produtos utilizados. Com isso, é essencial a utilização de agentes que removam o biofilme do interior dos equipamentos que envolvem o suprimento de água nas granjas, para garantir adequada desinfeção dos mesmos.

Controle na produção de rações

As rações podem ser um importante veículo da Salmonella nas granjas. É preciso haver um eficiente controle de disseminação nas fábricas de rações para consolidar o programa de biosseguridade das agroindústrias. As farinhas de origem animal são os principais agentes veiculadores nas fábricas (embora já tenha sido constatada positividade para Salmonella em alimentos de origem vegetal).

Muitas rações de suínos são produzidas através da tecnologia de peletização, a qual envolve processamento térmico, que pode atuar como um desinfetante das rações, visto que a Salmonella é termossensível à temperatura de peletização. Entretanto, muitas fábricas apresentam o problema de recontaminação, onde as rações acabam contaminadas durante as etapas de expedição e transporte.  Diante disso, devem ser implantados controles de garantia da qualidade das matérias-primas recebidas (envolvendo auditorias e capacitações de fornecedores), bem como, a efetivação de boas práticas de fabricação na indústria, envolvendo a higiene pessoal e de equipamentos, para evitar a disseminação do agente no interior das fábricas.

Ácidos orgânicos para conservação da ração

Uma ferramenta interessante, sob o ponto de vista de conservação de rações, é a utilização de ácidos orgânicos. Isto objetiva a desinfeção de linhas de fabricação e da ração, garantindo sua qualidade até estar disponível para o animal se alimentar. Caso haja a necessidade de armazenamento destas rações, a presença dos acidificantes em sua composição contribui para a conservação da mesma, evitando a proliferação microbiana durante este período. Fortalecendo este aspecto, e considerando a que a Salmonella é um agente entérico, a utilização de blends de ácidos orgânicos microencapsulados e com diferentes pKas de atuação auxiliarão na manutenção da saúde intestinal dos animais, atuando como substitutos aos antimicrobianos promotores de crescimento, reduzindo a emissão de Salmonella via fecal e melhorando o desempenho zootécnico dos animais.

Higiene e desinfecção de equipamentos e instalações

As instalações e equipamentos devem ser rotineiramente desinfetados, com aditivos específicos e de comprovada eficiência, de modo a evitar a propagação da Salmonella no ambiente, com consequente contaminação residual e disseminação entre os lotes ao longo do tempo. Já se sabe que vários desinfetantes não são eficientes na presença de matéria-orgânica nas instalações, com isso considera-se o fato de que as superfícies devem ser higienizadas previamente à desinfecção. Porém, muitos dos programas de desinfecção tornam-se ineficientes quando os produtores não prestam atenção à um detalhe fundamental no controle microbiano das instalações: a formação de biofilmes.

Biofilme consiste na formação de uma comunidade bacteriana envolta por substâncias produzidas por estas bactérias, com a finalidade de criar uma camada protetora, normalmente contra a ação de agentes químicos e antimicrobianos presentes no meio. Ainda, auxilia na proteção contra a falta de nutrientes, oscilações de temperatura ambiental ou qualquer outra condição que não confira as condições ideais de sobrevivência dos microrganismos. Quando o biofilme está formado, ocorre o favorecimento da multiplicação microbiana, agravando ainda mais a situação de contaminação nas granjas. Associado aos agentes antimicrobianos e desinfetantes, devem ser empregados aditivos que “rompam” este biofilme, permitindo o contato dos desinfetantes com as bactérias presentes nas superfícies das instalações e equipamentos.

Área de espera e abatedouro

A área de espera dos abatedouros é um dos pontos-chave no controle (ou na disseminação!) da Salmonella nos animais. Muitos podem estar portando o agente e, quando há a união de lotes oriundos de origens distintas, pode haver a disseminação. Existe grande disseminação via fecal-oral, onde muitos animais acabam por excretar via fezes este agente, com posterior ingestão por outros animais.

Adicionalmente, outro ponto de frequente positividade de Salmonella é na pele dos animais, visto que muitos deles podem vir de suas granjas de origem com muitas sujidades aderidas à pele, o que compreenderá em uma eficiente via de veiculação. Diante disso, torna-se essencial não enviar animais aos abatedouros com muitas sujidades e placas aderidas a pele, devendo-se, por muitas vezes, lavar o animal com água corrente previamente ao carregamento.

A garantia de sanidade deve ser maior nas granjas, pois se houver o envio de animais contaminados para o abatedouro, torna-se mais difícil o seu controle. No abatedouro, deve haver rígido controle sanitário, com fortes e consolidados programas de BPF e APPCC, organizados de acordo com o perfil de cada planta industrial, para evitar a presença da Salmonella nos produtos e derivados suínos destinados ao consumo humano.

Esta matéria foi publicada na Revista Suinocultura Industrial - de Fevereiro de 2020

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Caroline Facchi - Engenheira Agrônoma, especialista em fábrica de ração, mestre em Sanidade e Produção Animal e doutoranda em Ciência Animal, na linha de nutrição de monogástricos. Atua na área de Pesquisa & Desenvolvimento da BTA Aditivos.

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Tiago Petrolli - Doutor em Zootecnia, na área de Nutrição e Produção de Monogástricos e pesquisador dos Cursos de Graduação em Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC Xanxerê

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