Salmonella: o que é, tipos e como controlar
A Salmonella é um gênero de bactérias gram-negativas pertencentes à família Enterobacteriaceae. Podendo estar presente no intestino dos animais como aves, suínos, bovinos e até de humanos, ela pode sobreviver por longos períodos em ambientes úmidos, poeira, rações e até mesmo em superfícies aparentemente limpas.
Segundo dados da OMS, a salmonelose é uma das principais causas de doenças transmitidas por alimentos no mundo. No Brasil, o MAPA considera seu controle uma das metas prioritárias dos programas nacionais de biosseguridade, já que surtos relacionados à bactéria podem gerar perdas econômicas significativas e impactos diretos na exportação de produtos de origem animal.
Salmonella no campo x Salmonella doméstica: existe diferença?
Quando se fala em Salmonella, muita gente pensa automaticamente em intoxicação alimentar: ovos mal cozidos, carne de frango crua, leite sem pasteurização.
E de fato, esse é o tipo de contaminação por Salmonella que a população em geral conhece, a chamada “Salmonella doméstica”, está relacionada à manipulação e preparo incorretos dos alimentos.
Mas existe outro cenário, mais complexo e estratégico: a Salmonella do campo.
Enquanto a forma de contaminação doméstica ocorre na ponta do consumo, a do campo está ligada à origem da contaminação, ou seja, aos animais, matérias-primas e ambientes de produção.
Ela pode estar presente no frigorífico, em uma granja, em uma fábrica de ração, na água utilizada no processo ou até nas poeiras do ambiente. Em resumo:
- Salmonella doméstica = problema de higiene e manipulação de alimentos.
- Salmonella do campo = problema de biosseguridade, manejo e controle microbiológico.
O foco deste artigo está na segunda: a Salmonella que afeta o campo, a indústria e a segurança alimentar desde a origem. Mas antes, vamos abordar quais os tipos existentes de Salmonella.
Quais são os tipos de Salmonella?
Das mais de 2.600 variantes conhecidas de Salmonella, duas são consideradas de notificação obrigatória no Brasil, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA): a Salmonella Enteritidis e a Salmonella Typhimurium.
Esses sorovares pertencem à espécie Salmonella entérica, a de maior importância para a produção animal, e estão diretamente ligados à contaminação de aves, suínos e produtos de origem animal.
Além delas, outros sorovares merecem atenção pela sua persistência ambiental e relevância sanitária:
- Salmonella Heidelberg e S. Infantis: vêm se destacando em granjas comerciais, com resistência crescente e alta capacidade de sobrevivência em equipamentos e poeiras.
- Salmonella Pullorum e S. Gallinarum: específicas de aves, associadas a doenças clássicas como pulorose e tifo aviário, controladas por programas oficiais de erradicação.
Cada uma dessas variantes tem comportamento e virulência diferentes, mas todas compartilham uma característica preocupante: a capacidade de formar biofilmes, estruturas que as protegem contra agentes químicos e tornam sua eliminação mais difícil em ambientes de produção intensiva.
Como ocorre a contaminação por Salmonella?
A contaminação por Salmonella é multifatorial. Ela pode surgir em qualquer ponto da cadeia e se espalhar rapidamente se não houver controle.
1. Rações e matérias-primas contaminadas
A ração pode ser um dos principais veículos de disseminação da Salmonella na cadeira de produção.
Matérias-primas de origem animal, como farinhas de vísceras e de carne, e de origem vegetal, como grãos e farelos, podem carregar o microrganismo desde a origem.
Por isso, é essencial o uso de aditivos conservantes e acidificantes capazes de reduzir a carga microbiana antes mesmo de serem utilizados para a alimentação dos animais.
➡️ Leitura complementar:
Eficiência no controle de Salmonella em matérias-primas e
produtos acabados: resultados comprovados
2. Contaminação cruzada
Mesmo quando a ração é tratada, a Salmonella pode voltar a aparecer por meio de equipamentos, transportadores e silos contaminados. A limpeza e a desinfecção adequadas, aliadas a uma boa padronização de processos, são determinantes para interromper esse ciclo.
Soluções como o Sani Pró, voltado à higienização de superfícies e equipamentos, e o Salfix Pró, aplicado no controle microbiano de matérias-primas e ambientes de produção, atuam de forma complementar, eliminando microrganismos resistentes e prevenindo a recontaminação da ração após o processamento térmico.
3. Água e ambiente
Fontes hídricas sem tratamento e ambientes úmidos são ideais para a sobrevivência da bactéria. O controle microbiológico da água, assim como o manejo de ventilação e umidade durante todo o período de alojamento, são passos essenciais.
4. Tráfego de pessoas e animais
Visitantes, veículos e até insetos podem carregar a bactéria de um ponto a outro. A biosseguridade de acesso é uma das práticas mais eficazes (e negligenciadas) no controle da Salmonella nas fábricas e granjas.
Prejuízos e impactos da Salmonella
A presença de Salmonella dentro de um sistema produtivo é um alerta que vai além da questão sanitária... Ela revela falhas de processo, brechas de manejo e falta de padronização. Em outras palavras, quando a contaminação aparece, não é apenas a saúde dos animais que está em risco, é todo o desempenho da cadeia que fica comprometido.
Esse tipo de contaminação costuma ser silenciosa no início, mas gera efeitos em cascata: perda de produtividade, aumento de custos, desgaste da imagem da empresa e, no fim das contas, prejuízo para todos os elos do setor. Por isso, entender seus impactos é o primeiro passo para evitar que algo aparentemente pequeno se transforme em um problema grande demais.
Impactos da Salmonella na avicultura
A presença de Salmonella nas granjas de frangos de corte afeta diretamente a saúde intestinal, o desempenho zootécnico e a segurança dos alimentos.
Quando não controlada, ela reduz o ganho de peso, piora a conversão alimentar, a mortalidade e o descarte de carcaças, além de gerar riscos de contaminação cruzada e perdas comerciais por restrições de mercado.
O controle da bactéria exige vigilância constante. Pois mesmo em granjas tecnificadas, a Salmonella pode permanecer ativa por longos períodos no ambiente, contaminando poeiras, rações, equipamentos e animais.
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Como enfrentar o desafio da Salmonella na avicultura
durante o manejo pré-abate
O manejo pré-abate é uma das fases mais críticas: o tempo de jejum, a qualidade da água e o manejo das aves durante a apanha e o transporte são determinantes para evitar estresse, ruptura de intestino e contaminação das carcaças.
Quando somados a um programa de biosseguridade bem executado e à utilização de aditivos tecnológicos e desinfetantes validados, esses cuidados reduzem significativamente a pressão bacteriana e garantem carcaças seguras e de melhor rendimento industrial.
Impactos da Salmonella na suinocultura
Na suinocultura, os impactos da Salmonella vão muito além da saúde animal, eles atingem toda a eficiência da cadeia produtiva. Até porque, mesmo sem sintomas clínicos, suínos portadores podem excretar a bactéria por semanas, contaminando o ambiente, elevando o risco de infecção entre lotes e comprometendo o status sanitário dos abatedouros.
Essas contaminações refletem em perda de desempenho, aumento do custo de produção e risco de restrições comerciais, especialmente quando a contaminação é detectado em produtos de origem animal.
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Estratégias fundamentais para auxílio no controle
Os períodos de desmame e transporte são os mais críticos, já que o estresse e a queda de imunidade favorecem a multiplicação bacteriana. Por isso, o controle deve envolver limpeza constante das instalações, tratamento da água, monitoramento das fábricas de ração e uso de blends de ácidos orgânicos e óleos essenciais, que reduzem a carga microbiana e fortalecem a saúde intestinal dos animais.
Com disciplina, monitoramento e o uso inteligente de tecnologia, a suinocultura consegue reduzir drasticamente a presença da bactéria, garantindo alimentos mais seguros e operações mais rentáveis.
Impactos da Salmonella na indústria
Na indústria, a presença de Salmonella significa retrabalho, descarte e perda de lote. Cada resultado positivo em análises microbiológicas pode gerar interdições temporárias, necessidade de reprocessamento e até riscos de embargo comercial, especialmente em mercados exportadores, onde a tolerância é zero.
Mais do que um problema pontual, trata-se de um indicador de ineficiência operacional: um sinal de que os processos de higienização, biosseguridade ou controle de qualidade precisam ser revistos.
Impactos da Salmonella na saúde pública
Na saúde público, a salmonelose é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida dos animais para o ser humano. Afinal, o que começa no campo pode, literalmente, chegar ao prato.
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Quando um lote contaminado não é identificado a tempo, ele pode comprometer toda a cadeia de consumo, afetando a confiança do consumidor e o valor da marca no mercado.
Por isso, o controle da Salmonella na origem é a forma mais inteligente e segura de proteger a produção, a empresa e a sociedade.
Como prevenir e controlar a Salmonella?
Falar em controle da Salmonella é falar em constância. Não existe uma única ação capaz de resolver o problema, mas sim um conjunto de medidas preventivas e integradas que precisam acontecer todos os dias, em todos os pontos da cadeia.
O controle começa muito antes de o alimento chegar ao consumidor. Ele começa na forma como a ração é produzida, no cuidado com o ambiente, no comportamento das pessoas e no quanto cada colaborador entende a importância da biosseguridade.
Quando tudo isso anda junto, o resultado aparece: menos riscos, menos perdas e mais eficiência.
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O que fazer quando a Salmonella se torna uma realidade no plantel?
1. Boas Práticas de Fabricação (BPF)
As Boas Práticas de Fabricação são a base de tudo. Elas garantem que cada etapa da produção aconteça com higiene, rastreabilidade e controle real.
Não é sobre ter um manual bonito apenas na teoria, mas sobre fazer do cuidado uma rotina. Limpeza validada, controle de pragas, armazenamento correto e separação de áreas sujas/limpas são atitudes simples que evitam grandes problemas lá na frente.
2. Higienização industrial
A higienização é uma das frentes mais poderosas no combate à Salmonella e também uma das que mais exige disciplina. É ela que garante que equipamentos, pisos, utensílios e superfícies de contato não se tornem pontos de recontaminação.
Para isso, o uso de detergentes e desinfetantes de alta performance é essencial, assim como o respeito ao tempo de contato e à diluição recomendada de cada produto.
Além disso, a validação microbiológica precisa ser parte do processo, afinal, limpeza sem medição é apenas suposição.
3. Biosseguridade nas granjas
O conceito de biosseguridade vai muito além do controle de entradas e saídas. Ele envolve planejamento, comportamento e prevenção constante.
Isso inclui o uso de roupas exclusivas, controle de visitantes, desinfecção de veículos, manejo correto de carcaças e até o controle de vetores como insetos e roedores.
Pequenas falhas aqui são suficientes para introduzir a Salmonella e colocar em risco todo um sistema produtivo.
4. Saúde intestinal como barreira natural
Um intestino saudável é uma das defesas mais eficientes contra a Salmonella.
Quando a microbiota está equilibrada, o ambiente intestinal se torna menos favorável à colonização de patógenos.
Além de melhorar a absorção de nutrientes, aditivos acidificantes e probióticos ajudam a estabilizar o pH e fortalecem a imunidade dos animais.
É um controle que começa de dentro para fora... discreto, mas extremamente eficaz.
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Como a saúde intestinal pode tornar as aves mais resistentes às patogenias
Como controlar a Salmonella na nutrição animal?
Na nutrição animal, o combate à Salmonella deve acontecer onde ela mais gosta de se esconder: nas matérias-primas e rações.
A ração é o alimento do animal, mas também pode ser o alimento da bactéria, se não for bem cuidada.
Por isso, o controle microbiológico da ração é um dos pontos mais críticos da biosseguridade. Afinal, cada lote contaminado tem potencial para espalhar a bactéria em dezenas de granjas, dificultando a contenção.
Aqui, o segredo está na tecnologia dos aditivos e no uso de blends de ácidos orgânicos e sais orgânicos capazes de reduzir a carga microbiana e impedir o crescimento da Salmonella. Veja abaixo como e com o que controlar a Salmonella.
Aditivos acidificantes e conservantes
Conforme citamos em nosso artigo sobre aditivos para nutrição animal, existem diversos tipos de aditivos na nutrição animal. Aqui, vamos focar basicamente nos aditivos acidificantes e conservantes.
Os aditivos acidificantes reduzem o pH do alimento, criando um ambiente hostil à sobrevivência da bactéria.
Já os conservantes, principalmente à base de ácidos orgânicos, atuam diretamente sobre as células microbianas, quebrando sua estrutura e impedindo a multiplicação.
Esses aditivos não apenas controlam a Salmonella, mas também ajudam a preservar o valor nutricional da ração e a prolongar sua vida útil.
Controle na fábrica e no campo
O ideal é que o controle comece ainda na fábrica de ração, com inclusão dos aditivos durante o processo de mistura e condicionamento para que não haja contaminação. Mas o trabalho não termina ali.
Durante o transporte e o armazenamento, é essencial manter condições adequadas de limpeza, temperatura e umidade, evitando que a bactéria encontre ambiente favorável para multiplicar.
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Eficiência no controle de Salmonella em matérias-primas e produtos acabados: resultados comprovados
Controle específico na suinocultura
Na suinocultura, o desafio da Salmonella é ainda mais intenso. Isso porque os suínos podem ser portadores assintomáticos por longos períodos, espalhando o patógeno em fezes e secreções.
A combinação de aditivos conservantes, manejo de vazio sanitário e limpeza de instalações é fundamental para quebrar o ciclo de transmissão.
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Estratégias fundamentais para auxílio no controle de Salmonella na suinocultura
Controle de Salmonella na indústria de alimentos
Quando a produção chega à indústria, o tipo de risco muda, mas o cuidado continua sendo o mesmo. Aqui, o foco está em evitar recontaminações e garantir a inocuidade/qualidade dos produtos finais.
Sendo assim, a higienização industrial é o ponto de virada. Cada etapa do processo, seja na recepção, no processamento ou envase do produto, deve seguir protocolos claros, com produtos validados e controle de resultados.
O uso de desinfetantes com ação comprovada contra Salmonella enterica, aliados a boas práticas de limpeza e verificação microbiológica, é o que assegura que o alimento chegue seguro até o consumidor.
Outro ponto essencial é o treinamento de pessoas. As melhores soluções químicas perdem efeito se aplicadas de forma incorreta. Ensinar, treinar, revisar e reforçar o “porquê” de cada procedimento é o que transforma protocolo em cultura, e cultura em resultado.
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No fim das contas, controlar a Salmonella é um ato de responsabilidade, com o produtor, com a indústria e com o consumidor.
É entender que segurança e desempenho caminham juntos, e que cada decisão técnica tem impacto direto na qualidade do alimento e na confiança que o mercado deposita na nossa cadeia.
Investir em biosseguridade, higienização e nutrição de precisão não é custo. É o caminho mais curto entre prevenir, proteger e prosperar.
Como a inovação combate a Salmonella?
A evolução do controle microbiológico dos processos nos últimos anos transformou a forma como o setor enxerga a Salmonella.
Hoje, a prevenção combina ciência, tecnologia e gestão de processos, permitindo reduzir quase a zero a ocorrência do patógeno em plantas industriais e de rações.
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8 pontos críticos que devem ser observados para garantir a biosseguridade em granjas de aves
Na prática, isso significa aplicar produtos validados, monitorar pontos críticos, capacitar equipes e adotar o conceito de biosseguridade contínua, onde cada elo da cadeia protege o próximo.
Afinal, controlar a Salmonella é mais do que cumprir uma norma sanitária. É garantir desempenho, proteger a reputação da indústria e preservar a confiança do consumidor.
E embora o desafio seja complexo, o caminho é claro... é necessário combinar conhecimento técnico, processos bem estruturados e soluções baseadas em inovação. Só assim é possível transformar o risco em resultado, e fazer da segurança alimentar um valor inegociável.

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